cafe filosófico

Eficiência energética: redução de custos e sustentabilidade ambiental

A eficiência energética (EE) surgiu como conseqüência dos dois choques do petróleo, associados principalmente à instabilidade política no oriente médio (1973 criação da OPEP e a revolução Irã de 1979).  Nessas ocasiões o mundo constatou que a era da energia barata, plenamente disponível e controlada por algumas empresas internacionais, tinha passado. Depois destes choques, com os ajustes realizados, houve certa acomodação do consumo e dos preços internacionais. Na década de 90 novos acontecimentos – a questão ambiental, o crescimento dos “BRICs”, aquecimento da demanda mundial, novos aspectos geopolíticos, etc,  trouxeram a questão da energia definitivamente para o topo da agenda mundial.

Hoje a energia é  tema permanente do G-8 e G-20 e, muitas vezes, domina a discussão dos principais lideres governamentais e empresariais nos diversos foros internacionais, mobilizando ainda a sociedade civil.  Isso ocorre porque a forma como se produz, transporta e consome energia passou a ter  implicações determinantes na geopolítica mundial, com implicações sobre o desenvolvimento econômico e os padrões e níveis de consumo dos diversos países e, de forma decisiva, na questão dos impactos ambientais global, regional e local.

Vídeos
Íntegra: A Abordagem Ambiental na Matriz Energética Brasileira: Desafios – Izabella Teixeira
Íntegra: A eficiência energética no contexto mundial e os programas do Brasil e dos Estados Unidos – José Goldemberg e Howard Geller (parte 1)
Íntegra: A eficiência energética no contexto mundial e os programas do Brasil e dos Estados Unidos – José Goldemberg e Howard Geller (parte 2)
Íntegra: A Eficiência Energética como um vetor de aumento da competitividade do setor empresarial brasileiro – Ricardo David
Íntegra: Eficiência Energética – Gilberto M. Jannuzzi

Matérias

A preservação ambiental na questão energética brasileira
Energia é destaque na programação da CPFL Cultura em setembro

Eventos

A Abordagem Ambiental na Matriz Energética Brasileira: Desafios – Izabella Teixeira
Eficiência Energética – Gilberto M. Jannuzzi
A eficiência energética no contexto mundial e os programas do Brasil e dos Estados Unidos – José Goldemberg e Howard Geller
A Eficiência Energética como um vetor de aumento da competitividade do setor empresarial brasileiro – Ricardo David

As políticas e medidas desenhadas para lidar com essas questões não são, no entanto, uniformes.  Há uma visão que considera que apenas o continuo aumento da oferta de energia é a maior prioridade para atender as nossas necessidades energéticas.  Por outro lado, há um outro enfoque que mostra que pode haver uma  redução significativa do consumo de energia através de políticas robustas de eficiência energética (EE), reduzindo assim o aumento da oferta e os preços.  A EE, por ter ainda um alcance mais amplo do que a oferta de energia, falando-se em termos da cadeia produtiva,  gera também mudanças na forma como produzimos bens e serviços e no próprio hábito de consumo da população.

Fatos recentes vêm  reforçando esse segundo enfoque: a) as conclusões mais recentes dos estudos sobre o efeito estufa, (relatório do IPCC e  relatório ‘Stern” da Inglaterra), conjuntamente com a nova rodada de negociações internacionais em curso no mundo avaliando os resultados do protocolo de Kyoto – que deságua na reunião de Copenhagen agora no final de 2009; b) a eleição de Barack Obama nos Estados Unidos, com sua visão de que os americanos precisam considerar seriamente o impacto ambiental global e serem mais “independentes” em termos energéticos; c) a interdependência entre as fontes energéticas e seus usos, sugerindo que a as análises e decisões devam ir além das políticas especificas convencionais para energia elétrica, petróleo, gás, carvão, combustíveis líquidos, etc.

No ambiente globalizado, por sua vez, a oferta de produtos e serviços segue decisões tomadas além das políticas industriais de cada país.  Estimulado sensivelmente pela questão ambiental e pela nova posição americana prevê-se uma nova onda de investimentos em pesquisas que podem gerar mudanças na base tecnológica da oferta e da forma como se consome de energia.  O exemplo mais típico é o carro elétrico.  É necessário então avaliar como essa nova onda poderá alterar a composição conjunta da oferta versus consumo de energia.

O Brasil, com um dos maiores atores mundial nesse contexto da energia, tem particularidades importantes que precisam ser consideradas.  Temos, por um lado, uma matriz energética limpa, mas, por outro lado, o nosso país tem um consumo per capta baixo e o preço da energia é fator importante para determinados segmentos produtivos e, em especial, para a faixa mais pobre da população. Com essas características, é oportuna a questão de como então o país pode aproveitar ao máximo as suas reservas energéticas limpas considerando a penetração no país dessa nova onda de produtos e serviços voltados para a EE, os preços crescentes da energia e os impactos ambientais?

Há no Brasil uma experiência acumulada em EE ao longo dos últimos anos 25 anos que já produz resultados.  Mas, na realidade atual, cabe questionar qual o papel da EE no modelo de desenvolvimento que teremos nos próximos anos e na posição do país nas  negociações internacionais sobre a energia e o meio ambiente?  Que vantagens adicionais o país pode obter com políticas de EE bem definidas e implantadas? Como a população e o setor empresarial podem se beneficiar das medidas EE?

Com o objetivo de contribuir para esse debate o Módulo está estruturado em cinco sub-módulos, conforme descrição abaixo