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Márcio Teles é IVCL/Orcampi nos Jogos Olímpicos de Tóquio

O atleta dos 400 m com barreiras que escolheu o clube de Campinas para treinar há cinco anos, tem índice para disputar a segunda Olimpíada da carreira, com apoio do Instituto CPFL e patrocínio da CPFL Energia

O barreirista Márcio Soares Teles sonha com estar numa final olímpica dos 400 m com barreiras – tem índice (48s60) para ir aos Jogos de Tóquio, no Japão, a principal competição de 2020 – o programa do atletismo será realizado de 31 de julho a 9 de agosto. Márcio é atleta do IVCL (Instituto Vanderlei Cordeiro de Lima) Orcampi,
que tem parceria com o Instituto CPFL e patrocínio da CPFL Energia.

Quando era menino e adolescente Márcio Teles era meia esquerda do Celso Gol – Seropédica FC, da cidade onde morava, na Baixada Fluminense, Rio de Janeiro. Nasceu em Paracambi, também na Baixada Fluminense, em 27 de janeiro de 1994, mas vivia em Seropédica quando competiu no atletismo pelo Santa Mônica numa Olimpíada da Baixada, em 2011. Correu os 100 m e ganhou, foi segundo colocado nos 200 m.

No final de 2012 fez um teste no Miécimo da Silva nos 300 m e passou, mas quando descobriu que ia ser pai parou de correr. Voltou em 2014, machucou o quadríceps, ficou quatro meses parado até voltar novamente a correr pelo Santa Monica, treinando no Engenhão, no Rio.

“O professor Eusébio me mandou escolher os 800 m ou os 400 m com barreiras que era onde tinha vaga”, conta. Escolheu os 400 m com barreiras, ganhou o Estadual, fez índice para o Troféu Brasil adulto (foi 5º colocado) e disputou o Brasileiro Sub-23.

Ficou estimulado com a temporada. Em novembro de 2014 passou a treinar com Evandro Lazari, no IVCL Orcampi, justamente após ter sido finalista nos 400 m com barreiras no Troféu Brasil. “Sai do comodismo para entrar na vida profissional como atleta. Em 2016 sai dos 50 segundos alto para o índice olímpico para os Jogos do Rio”, comenta.

“Ele me ligou, mandou mensagem dizendo que a estrutura de treinamento no Rio não era das melhores e queria uma oportunidade. Perguntou se eu aceitaria treiná-lo. E eu disse que sim, falei sobre os horários de trabalho e pedi para ele vir”, conta o treinador Evandro Lazari.

Em 2015, Márcio já evoluiu em seus tempos – correu 50s60 nos 400 m com barreiras. Em 2016 começou o ano com 50s00, o que o credenciou a ir ao Ibero-Americano, evento-teste dos Jogos Olímpicos do Rio/2016, em que ele correu 49s69.

“Quando fez essa marca nós conversamos, o índice dos Jogos Olímpicos estava próximo, tínhamos uma chance. Mas tínhamos de ir para a Europa e foi o que fizemos. Na primeira prova dele, em Genebra, correu 49s09, fez o índice. Todo mundo começou a conhecer mais o Márcio, mas foi para a Olimpíada deslumbrado, nunca tinha ido a
uma competição mundial, não foi bem”, relembra Evandro.

Em 2017, no Mundial de Londres, Grã-Bretanha, Márcio fez uma excelente eliminatória, passou para a semifinal, mas bateu na barreira e caiu. Em 2019, no Mundial de Doha, Catar, depois de um ano difícil também não foi bem.

Mas tem um predomínio que impressiona na principal competição de clubes do Brasil. Márcio é tetracampeão do Troféu Brasil de Atletismo – levou o quarto título no ano passado, quando foi também o melhor atleta de toda a competição, com o índice olímpico e recorde do torneio (48s60).

“Em 2016 ganhou o Troféu Brasil. Em 2017 correu 48s94 pela primeira vez, batendo o recorde do Troféu Brasil. Em 2019 teve um ano difícil, mas conseguiu sua quarta vitória no Troféu Brasil – é tetra. Bateu o recorde do TB em 2017, 2018 e 2019: 48s94, 48s70 e 48s60. Fomos para Doha com a expectativa de uma final com essa marca de 48s60,
mas isso não aconteceu”, acrescenta Evandro.

Com o índice para os Jogos Olímpicos assegurado a palavra de ordem para este início de 2020 é trabalho. “Estamos trabalhando duro e nossa expectativa de novo é ser finalista em Tóquio. Ele pode almejar correr uma marca perto de 48 segundos ‘baixinho’. Eu vejo o Márcio como um cara que ainda está amadurecendo aos 26 anos e acredito que a gente pode brigar por isso, fazer uma boa preparação, ser finalista olímpico e brigar”, ressalta Evandro.

Márcio compartilha com o treinador o sonho de ir a uma final olímpica e disse que sonha também com uma medalha, o estímulo para sair todos os dias de casa para treinar.

A rotina é dura e o corpo pede descanso depois das longas jornadas de preparação. Márcio, que é pai de João Gabryel, de 7 anos, e de Anna Júlya, de 5, nem gosta de sair de casa – joga videogame para se distrair no pouco tempo em que não está na pista para treinos e competições. “Sempre penso nas minhas metas como atleta.”

Márcio tem 70 quilos e 1,76 m – nem é tão alto para uma prova que exige a ultrapassagem de barreiras altas, em grande velocidade. “É uma prova técnica, que pede resistência e velocidade. E vou dizer que o atleta não pode errar nada, da alimentação e o aquecimento até a corrida e cada passagem. O resultado vem de uma prova sem erros, do treino.”

 

Entenda a prova
400 m com barreiras – Os atletas completam uma volta na pista, na raia, e a linha de largada é escalonada, de modo que os que correm do lado de dentro da curva percorrem a mesma distância do que aqueles que correm do lado de fora da curva. As dez barreiras são colocadas em intervalos de 35 metros, com a primeira 45 m após a linha de partida e a última a 40 m da linha de chegada. Nessa prova, derrubar a barreira não desqualifica o atleta. Para os homens, as barreiras têm 91 cm de altura; para as mulheres, 76 cm.

O IVCL Orcampi conta com o patrocínio da CPFL Energia e o apoio do Instituto CPFL.

Fotos: Osvaldo F.