jovens militantes na educação, com andré gravatá (íntegra)

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Quando usamos remédio contra a angústia, jogamos muita coisa fora junto com essa angústia. A complexidade dos desafios do mundo contemporâneo derrubou as velhas estruturas piramidais, que tinham nas pontas de comando os chefes, os pais, os políticos, os líderes religiosos. Hoje vivemos em uma transição de modelos. É a passagem da crença nos líderes para outra forma de pensamento. Lidamos, em contrapartida, com muito sofrimento e imaturidade política diante da instabilidade do mundo e das mudanças dessas relações de poder.

Segundo Foucault, o poder é sustentado pelo saber. Hoje este saber é compartilhado. Está na mão de todos. A violência observada nos debates mais recentes é resultado da incapacidade de interpretar o mundo. Pois é mais fácil entender o mundo a partir das velhas “caixinha de verdades”.

A análise foi feita pela filósofa Viviane Mosé durante o último Café Filosófico CPFL da série “Os Desafios da Nova Escola Brasileira”. A fala serviu de introdução à palestra “Jovens militantes da educação”, com o jornalista e educador André Gravatá, citado pela curadora do módulo como exemplo de quem consegue interpretar e transformar o mundo fora da “caixinha”.

Em sua fala, Gravatá criticou a má vontade das escolas em ouvir as vozes mais jovens, inclusive as crianças, e a postura de quem vê nas notícias sobre rankings na educação e violência nas escolas um incentivo para a desistência. “Essas notícias causam uma ‘despotência’ no movimento”, resumiu. Mas até que ponto a gente se disponibiliza a ler o mundo em suas mais profundas camadas?, questionou.

“Hoje no Brasil muita gente se encontra para criar coletivos que, no futuro, podem provocar muitas mudanças. Há mais disposição e interesse em apoiar e financiar projetos relacionados à educação”, disse.

Segundo Gravatá, a educação é um área em que se enraizou uma cultura da reclamação. “As leituras de mundo que fazemos para nós e para os outros são muitas vezes muito hostis.” Para ele, falta uma formação política na prática nas escolas. “Isso significa entender um processo de decisão em conjunto.” Daí a importância dos chamados grêmios estudantis.

Entender esse processo, afirmou, exige uma análise sobre a educação para além dos rankings e do vestibular. “O vestibular deixa as pessoas afoitas e sem voz”, disse.

Ele citou o poeta sul-mato-grossense Manoel de Barros, segundo quem a gente só conhece a importância de alguma coisa a partir da intimidade que temos com ela. “Mas será que temos intimidade o suficiente com a educação para entender o tempo que passamos lá?”, questionou.

Confira a íntegra do encontro:

jovens militantes na educação, com andré gravatá (íntegra) from cpfl cultura on Vimeo.

 

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