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a criação impactante de aleksander lazárevitch lokshin

conheça a música de mais um compositor que sofreu na carne a repressão do regime soviético

No programa deste domingo, 6 de agosto, às 22horas na Rádio Cultura FM, você vai conhecer a música impactante do compositor soviético Aleksandr Lazárevitch Lokshin, que foi apontado como gênio por Dmitri Shostakovich, um de seus professores no conservatório de Moscou.

Lokshin nasceu em 1920 na Sibéria. Aos 21 anos, já estudando em Moscou com Miaskovski, formou-se no conservatório local e quatro anos depois tinha obras estreadas pela lendária Filarmônica de Leningrado com seu mítico regente Evgeni Mravinsky e atuava como professor no Conservatório.

Ele morreu em 11 de junho de 1987, aos 66 anos, sem revelar que fora expulso do conservatório por causa de uma composição vocal sobre versos de Baudelaire.

Também sofreu a repressão de 1948 de Jdanov, que varreu a União Soviética. Foi penalizado junto com Shostakovich e Prokofiev.

No programa, duas de suas onze sinfonias. A Quarta, que ele chamou de stretta, isto é, instrumental. E a quinta põe música para barítono, cordas e harpa em dois sonetos de Shakespeare, escolhidos a dedo por Lokshin para marcar sua repugnância e horror diante do regime soviético. Emocione-se com a força destes versos do soneto 66 de Shakespeare, em tradução para o português de Ivo Barroso:

Farto de tudo, a paz da morte imploro
para não ver no mérito um pedinte,
e o nulo se ostentando sem decoro,
e a fé mais pura em degradado acinte,
e a honra, que era de ouro, regredida,
e a virtude das virgens violada,
e a reta perfeição ser retorcida,
e a força pelo fraco subjugada,
e a prepotência amordaçando a arte,
e impondo regra o todo doutoral,
e a verdade singela posta à parte,
e o bem cativo estar do ativo mal:
farto de tudo, a morte é o bom caminho,
mas, morto, deixo o meu amor sozinho.

Ouça agora a Sinfonia no. 4, “stretta”, de Loshkin, com Rudolf Barshai regendo a Orquestra de Câmara de Moscou:

E neste domingo acompanhe o programa pela Cultura às 22 horas para ouvir o barítono Thomas Allen interpretando este impactante soneto, acompanhado pela seção de cordas e harpa da Bournemout Symphony Orchestra, regidos por Rudolf Barshai, gravado em concerto no dia 15 de janeiro de 1987.

ouça a rádio cultura fm de são paulo através do 103,3 no dial ou também pela internet clicando aqui. o programa ‘música contemporânea’ é transmitido sempre aos domingos, às 22h.

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