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frases de e sobre john cage [1912-1992]

pensamentos de um inventor que foi tudo, menos convencional

O compositor norte-americano John Cage quebrou todos os paradigmas. Tirou definitivamente músicos e plateia da chamada zona de conforto. Escandalizou o público convencional e até as mentes culturalmente mais abertas.

É daqueles músicos que é impossível enquadrar neste ou naquele rótulo. Em seu caso, fica difícil até pregar-lhe o rótulo fácil de compositor.

Os compositores europeus da vanguarda ortodoxa do pós-guerra, acastelados nos seminários de Darmstadt, na Alemanha, e capitaneados por Karlheinz Stockhausen e Pierre Boulez, seguiram a palavra-de- ordem de Arnold Schoenberg. O famoso austríaco que revolucionara a música clássica no início do século 20 com a atonalidade e depois a música serial, deu poucas aulas a um John Cage recém-saído da adolescência, nos anos 30. Interrompeu-as insatisfeito e o qualificou como inventor, e não compositor.

O que era quase um xingamento transformou-se, nas décadas seguintes, em sua marca registrada. Rechaçado nas salas convencionais de concerto, Cage buscou novos e alternativos espaços, como museus; encontrou parceiros memoráveis nas demais artes, como o coreógrafo Mercê Cunningham; foi amigo, influenciou e foi decisivamente influenciado pelos pintores Robert Rauschenberg e Jasper Johns.

Incorporou todos os sons em sua música; reinventou instrumentos como o piano, modificando radicalmente sua sonoridade. Bom gourmet, era especialista em cogumelos. Interessou-se ainda pela cultura oriental, utilizando o I Ching em suas criações musicais. Era uma autêntica metralhadora giratória, atirando para todos os lados. Incorporou o acaso em suas composições, escreveu para 12 aparelhos de rádios simultaneamente sintonizadas, fazendo dos músicos meros responsáveis pelas mudanças nas estações.

“Não existe essa coisa de espaço vazio ou tempo vazio. Sempre há algo para ver, algo para ouvir. Não importa o quanto tentemos fazer silêncio, não podemos (…) Entrei numa câmara anecróica (à prova de som) e ouvi dois sons, um grave e um agudo. Quando os descrevi ao engenheiro, ele me informou que o agudo era meu sistema nervoso em operação, e o grave, meu sangue em circulação. Até eu morrer haverá sons, e eles continuarão depois da minha morte. Não é necessário temer pelo futuro da música”

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“Happy new ears”

[cartão de ano novo para os amigos]

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“Não entendo por que as pessoas não gostam das novas ideias. Eu fico assustado com as velhas”

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“Sou dos que amam apagar a distinção entre arte e vida”

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“Quando você começa a trabalhar, todos estão no seu estúdio – o passado, seus amigos, inimigos, o mundo da arte e, acima de tudo, suas próprias idéias – todos estão lá. Mas se você continua pintando eles começarão a sair, um a um, e você ficará completamente sozinho. Então, se estiver sorte, até você irá embora”

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“Invada áreas onde nada é definido (áreas – micro – macro – adjacentes à que conhecemos agora). Não vai soar como música – serial ou eletrônica. Vai soar como o que ouvimos quando não estamos ouvindo música, só ouvindo qualquer coisa em qualquer lugar que estejamos. Mas para conseguir isso, nossos meios tecnológicos têm de estar em constante mudança”

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“Acusação: você abre portas; o que queremos saber é quais você fecha. (As portas que eu abro fecham-se automaticamente depois que eu passo)”

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