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há 100 anos a música era assim [capítulo 5]

a música dos italianos na primeira guerra mundial

Alfredo Casella, Gian Francesco Malipiero e Vincenzo Tommasini têm em comum não apenas as três obras escritas em 1917, em plena Primeira Guerra Mundial. Os três nasceram em torno de 1880 – o primeiro em 1883, o segundo em 1882 e o terceiro em 1878 – e formaram a chamada geração 80, na Itália. Eles, no entanto, são bem diferentes entre si.

1. As Páginas de Guerra, opus 25, de Alfredo Casella (1883-1947) privilegiam a dissonância e o cromatismo como formas de retratar aqueles tempos dilacerados pela guerra e pela morte em massa.

A primeira versão, para piano a quatro mãos, foi escrita em 1915, ano em que a Itália entrou na guerra. Ela leva o subtítulo “Filmes musicais”. Tem cinco movimentos curtos: Na Bélgica: desfile da poderosa artilharia alemã (Allegro maestoso e pesante) na França; diante das ruínas da Catedral de Reims (Lento, grave); na Rússia: carga de cavalaria cossaca (Allegro molto vivace); na Alsácia: cruzes de madeira… Tempo de berceuse (Andante molto moderato); e No Adriático: encouraçados italianos em velocidade de cruzeiro (Allegro molto maestoso).

A interpretação é da Orquestra Sinfônica de Roma, regida por Francesco La Vecchia:

2. Gian Francesco Malipiero (1882-1973): pause del silencio

Malipiero gostava muito do silêncio. Em 1910, escreveu suas “Sinfonias do Silêncio e da Morte”. Dos compositores da geração 80 italiana, foi o que compôs maior volume de música: mais de 200 obras, incluindo 40 óperas e 17 sinfonias. Estas Pausas do silêncio foram escritas sob o impacto de um momento ruim para a Itália em 1917, quando a população e as tropas foram evacuadas devido ao avanço do exército inimigo.

“Era muito difícil termos silêncio naquele momento”, declarou Malipiero dois anos depois, com a guerra já terminada. “E quando o conquistávamos, ficamos apavorados de perdê-lo”.

Formalmente, a peça acentua sua determinação de rejeitar o estilo austro-germânico do “desenvolvimento temático”, em favor de um ideal sinfônico que ele considerava italiano: “seções variadas se seguem de movo imprevisível, obedecendo apenas às misteriosas leis que o instinto reconhece”.

Os movimentos são: Pause del silenzio I: Solenne. I. Lento, ma non troppo – II. Agitato assai – III. Non troppo lento – IV. Vivace assai – V. Lento, funebre – VI. Allegro assai – VII. Allegro vivace e marcato • Pause del silenzio II: Andante • Allegro, ma non troppo mosso • Lento • Allegro, ben ritmato • e Maestoso, non troppo lento.

Francesco La Vecchia rege a Orquestra Sinfônica de Roma.

3. O compositor italiano Vincenzo Tommasini (1878-1950) recebeu, em 1916, a encomenda de uma música baseada nas sonatas de Domenico Scarlatti feita por Serge Diaghilev, capo dos Balés Russos – naqueles anos, a coqueluche na capital parisiense.

Ele compôs “Le donne di buon umore”, ou as mulheres de bom humor. A estréia aconteceu em abril de 1916 em Roma, com figurinos e cenários de Léon Bakst e coreografia de Léonide Massine. A trama baseia-se numa comédia de Carlo Goldoni e conta as aventuras de um conde vestido de mulher durante um carnaval.

Tommasini adaptou e orquestrou sete sonatas do compositor barroco italiano Domenico Scarlatti, célebre por suas sonatas curtíssimas para cravo. A suíte do balé, que você vai ouvir, tem seis movimentos: Abertura (Allegro); Presto; Allegro; Andante; Tempo di ballo (non presto); e Cat’s Fugue e Finale (presto).

A interpretação é da Deutsche Radio Philharmonie Saarbrücken Kaiserlautern, regida por Robert Reimer:

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