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há cem anos a música era assim [capítulo 3]: parade, a mais escandalosa obra de satie

a estreia, em 1917, contou com os balés russos, tema de jean cocteau, coreografia de leonid massine, figurinos e cenário de pablo picasso

Sergei Diaghilev, o criador e capo dos balés russos, adorava um escândalo. Foi assim com a “Sagração da Primavera”, de Stravinsky, em 1913 – e foi assim também em 1917, quando estreou no Théâtre du Châtelet em Paris, o balé Parade, baseado em tema de Jean Cocteau: uma parceria entre a música de Erik Satie, a coreografia de Leonid Massine, cenários e figurinos de Pablo Picasso, regência de Ernest Ansermet.

No texto do programa, Apollinaire usou pela primeira vez a palavra surrealismo. Mas o que mais desconcertou o público foi justamente o realismo da partitura e do tema.

Um circo mambembe arma sua lona no meio dos edifícios. A representação vai começar. Diante da cortina fechada, em plena rua, os empresários tentam atrair a multidão para o espetáculo que vai rolar embaixo da lona; paralelamente, os artistas fazem uma breve degustação de suas proezas que só poderão ser vistas integralmente no espetáculo.

A música de Satie é profética, revolucionária mesmo, ao incorporar instrumentos e ruídos inusitados, como o da máquina de escrever, apito de navio, ruído de roda de loteria, barulho de água, sirenes, buzinas e até tiros de revólver.

Assista no youtube, filme do balé Parade, gravado em 2007 em Paris, no Théâtre du Châtelet, dentro do Festival Europa Danse:

Mas também dê uma olhada nesta versão mais limpa, do balé de Dallas, de 2017:

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