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há cem anos a música era assim [capítulo 2]

a estreia de dois brasileiros discriminados por suas formações musicais

Em 1917, aconteceram as estreias de duas obras de compositores brasileiros: o cearense Alberto Nepomuceno e o carioca Henrique Oswald.

Ambos estudaram na Europa e tiveram uma formação mais cosmopolita, que se chocava com a vida musical brasileira, centrada de um lado na ópera italiana e de outro no nacionalismo musical. Por isso, ambos foram discriminados.

Oswald talvez mais do que Nepomuceno, que batalhou pelo canto em português e dirigiu o Instituto Nacional de Música, no Rio de Janeiro:

1. Estréia em 1917, em concerto da Sociedade de Cultura Artística, “Le Miracle de la Semence”, de Alberto Nepomuceno (1864-1920), com versos de Jacques d’Avray, pseudônimo de José de Freitas Valle (1870-1958), filho de ricos estancieiros gaúchos que veio para São Paulo estudar Direito na Faculdade do Largo de São Francisco.

Poeta e escritor, foi um dos grandes mecenas paulistanos das primeiras três décadas do século 20. Eleito senador estadual em 1922, foi deposto do cargo em 1931 devido à Revolução de 1930.

São seus estes delicados poemas originais em francês, que Nepomuceno musicou. Esta performance no youtube é rara:

2. Trio para piano e cordas em sol menor opus 9 de Henrique Oswald (1852-1931): é uma obra que nada tem de nacionalista.

Ao contrário, insere-se na corrente da música europeia das décadas finais do século 19. De excelente fatura, só foi revalorizada e teve edição crítica preparada nos anos 1980, por intermédio do pianista José Eduardo Martins. Ele participa deste registro histórico, ao lado da violinista Elisa Fukuda e do violoncelista Antonio del Claro. Os movimentos são: Allegro moderato – Adagio – Scherzo, Allegretto – e Molto Allegro

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