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bach & cia.

os concertos do segundo semestre no instituto cpfl de cultura estão girando em torno de bach e villa-lobos, e reinvenções da música destes dois grandes criadores – um do século 18, fundamento da música clássica europeia, o outro um brasileiro que encarnou com genialidade o que qualificava como “a alma brasileira”.

Todo mundo gosta tanto dos seis Concertos de Brandenburgo, que o compositor Johann Sebastian Bach (1685-1750) dedicou e enviou a Christian Ludwig, margrave [título do comandante militar ou civil que, na região onde hoje está localizada a Alemanha, cuidava das fronteiras das cidades-estado]. Era um pacote de seis concertos até hoje muito conhecidos e populares. Pois um especialista em música barroca “compôs” outros seis. Ouça o “Concerto de Brandenburgo no. 7 em ré maior, para trompete, oboé, violino, trompa, fagote, cordas e contínuo”:

concerto de brandemburgo nº7:

Gostaram? Então lá vai a explicação. Bach cansou de fazer copy-paste com pedaços de suas obras anteriores para conseguir compor uma cantata por semana por anos seguidos na Leipzig de 1730. Bruce Haynes, oboísta, musicólogo e emérito campeão da música historicamente informada, morreu em maio de 2011, aos 69 anos. Pois Haynes deixou como seu principal legado sonoro seis “novos” Concertos de Brandenburgo, numerados de 7 a 12, feitos no mesmo espírito corte-e-costura de Bach.

Juntou árias e outras partes de cantatas e desenvolveu-as com instrumentações variadas, semelhantes às do pacote original assinado pelo mestre. O melhor de Haynes é que, apesar de pesquisador rigoroso, ele não se levou a sério demais nesta empreitada deliciosa que chamou de “reconstrução”.

Bem-humorado, colocou-a no mesmo patamar das aventuras bachianas do grupo vocal Swingle Singers ou mesmo do pioneiro Wendy Carlos e seu “Switched-on- Bach” de 1968 (quando ainda se chamava Walter Carlos, antes de trocar de sexo).

íntegra do áudio de Jazz Sebastian Bach, lendário álbum do grupo vocal The Swingle Singers, gravado em 1963: 

Ou então também Carlos Moog Bach… Sinfonia 35:

O “Sinfonia” aí de cima está errado. A melodia tocada em sintetizador por Walter Carlos 49 anos atrás é da Cantata no. 35 de Bach.

Mas a melhor reinvenção moderna de Bach é a realizada no CD “Re-inventing Bach”, onde contracenam a pianista clássica Simone Dinnerstein, o Absolute Ensemble e o regente estoniano Kristjan Järvi:

Para ter uma ideia da competência clássica destes músicos, ouça Kristjan Järvi regendo sua Filarmônica do Mar Báltico, que reúne instrumentistas dos dez países banhados pelo Báltico, num clássico do século 20, “O Pássaro de Fogo”, de Stravinsky.

E mesmo a pianista Simone Dinnerstein tocando três Invenções de Bach: