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uma playlist especial preparada para curtir o dia 31 de outubro

No dia 31 de outubro se comemora o Halloween, mais conhecido no Brasil como o “Dia das Bruxas”. As comemorações do Halloween são mais comuns nos países anglo-saxônicos, em especial nos Estados Unidos. No Brasil, a confraternização do “Dia das Bruxas” é um fenômeno recente.

Como ele é associado às bruxas e à feitiçaria, que tal fazermos um passeio pelo reino dos sortilégios no mundo da música de concerto?

1. O ameaçador e ao mesmo tempo delicado Adagio, terceiro movimento da “Música para cordas, percussão e celesta” do compositor húngaro Bela Bartók (1881-1945), foi usado pelo cineasta Stanley Kubrick no filme “O Iluminado”, filme de 1980 com Jack Nicholson. [Orquestra Sinfõnica de Baltimore, regência Marin Alsop]

2. “Erwartung” ou “A Espera”, de 1910, é uma das obras-primas do período atonal de Arnold Schoenberg (1874-1951). A ópera em um ato é um extenso monólogo para soprano solo: uma mulher vagueia pela floresta à noite procurando seu amante. Tropeça num tronco de árvore e pensa que é o corpo dele, o que desencadeia um vendaval de paixão e terror. No clímax, ela encontra de fato o cadáver do amado.

A excelente versão escolhida, com a soprano Karen Armstrong e a Orquestra da Rádio Alemã regida por Esa Pekka-Salonen, é de 1989, e tem uma encenação primorosa de Friedrich Götz.

3. Embora não seja habitualmente usada em trilhas sonoras de terror e feitiçaria – ao contrário, ela costuma se associar a fadas e ninfas — , a harpa foi escolhida pelo compositor francês André Caplet (1878-1925) para, ao lado de um quarteto de cordas, ilustrar o conto “A máscara da morte vermelha”, de Edgar Allan Poe (1809-1849).

Uma peste vermelha que matava em meia hora a partir de seu aparecimento provocou no príncipe Próspero uma atitude radical. Trancafiou-se em seu castelo junto com mil amigos e muitas provisões, isolando-se do povo que morria aos milhares. Seis meses depois, população quase toda dizimada, Próspero promoveu um baile de máscaras. Um penetra é detectado; quando o príncipe decide matá-lo, cai morto. Na sequência, retiram-lhe a máscara, e nada há sob ela, apenas o espectro da morte. Conclui Poe: “E o domínio ilimitado das Trevas, da Podridão e da Morte estendeu-se sobre tudo”.

A performance é com o quarteto de cordas Allegri e com a harpista Vanessa McKeand.

4. o coro inicial “ó, fortuna, imperatriz do mundo” da cantata “carmina burana” do compositor alemão carl orff (1895-1982) é possivelmente a obra mais conhecida do século 20. já foi utilizada em publicidade muitas vezes. e a imponência dos versos ritmicamente musicados é mesmo contagiante. mas prestem atenção nas palavras que canta o coro, traduzidas para o português nesta versão do coro e da orquestra sinfônica da dinamarca, regidas pelo espanhol rafael frühbeck de burgos (1933-2014):

“ó, fortuna / és como a lua / sempre mutável / sempre aumenta / e minguas / vida detestável / ora escurece / ora clareia / mentes por brincadeira / miséria / poder / funde-as como gelo / sorte monstruosa”.

acompanhe os versos. e, se gostar muito deste coro inicial, pode curtir a cantata com legenda até o final.

5. A música de Bernard Herrmann potencializou e transformou em obra-prima audiovisual a cena do banheiro em “Psicose” (1960), de Alfred Hitchcock. Curta esta obra-prima de Herrmann, o parceiro preferencial do fantástico cineasta para trilhas sonoras.

6. São só duas notas. Mas a trilha sonora que John Williams compôs para o filme “Tubarão” vem afastando muita gente do mar desde 1975, na feliz expressão de um especialista.