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in a state of jazz

músicas que fundem o espírito livre do jazz com a música de concerto

Marc-André Hamelin é um pianista canadense de 61 anos, que vive em Boston, nos Estados Unidos. Construiu uma formidável carreira alicerçado em duas características: um virtuosismo excepcional ao piano (para ele não há obstáculos técnicos); e o gosto pelo novo, pelo diferente.

Seu repertório inclui, claro, os grandes compositores, mas sobretudo nomes desconhecidos do grande público, como Alkan, Sorabji e Medtner. Colocou seu olhar inclusivo até nas músicas que giram em torno do jazz. Mas, atenção, como ele afirma em seu excelente texto no CD do selo Hyperion com este repertório, “aqui não há jazz”. Ao menos no sentido tradicional da palavra.

Ao contrário do jazz, que é sempre improvisado, na playlist que você vai curtir a partir de agora tudo está escrito, da primeira à última nota. Nem por isso perde-se o perfume do improviso.

Hamelin selecionou três compositores do século 20 que conseguiram fundir o espírito do jazz com a música de concerto. Boa viagem!

1) Friedrich Gulda (1930-2000), vienense da gema, célebre por suas interpretações de Mozart, Beethoven e Schubert, mergulhou no jazz depois de conhecê-lo numa viagem aos EUA em 1950. Ouça 3 das 10 peças que compõem o ciclo “Play Piano Play” (que ele chama de exercícios, nos. 1, 4, 5) e um Prelúdio e Fuga de 1965 cheio de swing.

2) Alexis Weissenberg (1929-2012), pianista francês de origem búlgara, também se encantou com o jazz, a ponto de compor uma “Sonata em estado de jazz”. No prefácio à partitura, Weissenberg escreve que “quis contaminar uma composição clássica com jazz. Quatro temperamentos diferentes influenciados por lugares diferentes – Buenos Aires, Nova York, New Orleans e Rio de Janeiro – unem-se por meio de uma linguagem comum que evoca os anos 1920, mas cuja escrita é a do jazz dos anos 1950”.

3) George Antheil (1900-1959), pianista e compositor norte-americano, escreveu um “Ballet Mécanique” em 1924 que lhe deu fama de vanguardista pela inclusão de sons de sirenes, sinos e até de hélices de aviões. Mas no final da vida, em Nova York, fazia música francamente tonal. É uma vinheta: 90 vertiginosos segundos de música sincopada.