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música do século 20 para crianças

três grandes compositores se debruçam sobre o universo das músicas infantis

Não foram apenas os compositores românticos do século 19 que se interessaram em compor músicas em torno do universo infantil. Também autores do século 20 produziram algumas obras-primas.

Na primeira de duas playlists enfocando este tema, começamos com o francês Gabriel Fauré. Ele nasceu em 1845. Seria, portanto, um autêntico filho artístico do século 19; mas acontece que Fauré viveu até os 79 anos, morrendo apenas em 1924, bem depois da Primeira Guerra Mundial.

Ele foi herdeiro natural da musicalidade de Frédéric Chopin, no sentido de que jamais compôs música desagradável, feia ou exagerada, na expressão do pesquisador francês Guy Sacre. Ao contrário, sua música tem “o dom da graça mais bela”. A Dolly Suite foi escrita para Hélène, a filha de Emma Bardac, com quem Fauré teve um caso. O original das seis curtas peças – a mais famosa é a Berceuse, canção de ninar – prevê piano a quatro mãos. Mas a versão para orquestra feita em 1906 por Henri Rabaud enfatiza as cores sutis das sonoridades de Fauré:

Coincidência incrível: Claude Debussy (1864-1918) compôs sua suíte Children’s Corner também para a menina Hélène, um pouco mais tarde, na virada do século 19/20. Coincidência maior ainda: casou-se com sua mãe, Emma Bardac, “femme fatale” daquele início de século 20 em Paris, ao que parece.

Você vai conhecer agora a primeira execução mundial de um arranjo diferente e muito moderno, de 2011, para orquestra, feito pelo compositor dinamarquês Hans Abrahamsen, de 65 anos. O concerto aconteceu em 17 de fevereiro de 2012 em Utrecht, na Holanda: Michael Schonwandt rege a Radio Kamer Filharmonie:

Você deve ter notado que Debussy deglute uma fortíssima influência da música popular norte-americana do período (sobretudo em Golliwogg’s Cake Walk). Enquanto isso, em plena Rio de Janeiro, no ano em que terminou a Primeira Guerra Mundial, 1918, Heitor Villa-Lobos se encontra com o grande pianista Arthur Rubinstei, e lhe mostra sua irresistível “Prole do Bebê no. 1” (Rubinstein se transformaria, dali em diante, em campeão na divulgação desta suíte, sobretudo tocando “O polichinelo” como extra em seus recitais mundo afora).

Os títulos evocam um passeio musical pelas bonecas do bebê, numa atmosfera bem brasileira. Os títulos são reveladores: Branquinha (A boneca de louça); Moreninha (A boneca de massa); Caboclinha (A boneca de barro); Mulatinha (A boneca de borracha); Negrinha (A boneca de pau); A pobrezinha (A boneca de trapo); O polichinelo); e A bruxa (A boneca de pano). A interpretação é da notável pianista brasileira Sonia Rubinsky, que estabeleceu um novo patamar na leitura das obras pianísticas de Villa-Lobos: