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ópera à brasileira, das serestas à política

quatro exemplos de releituras do gênero operístico por compositores brasileiros. de villa-lobos, com influência marcante de puccini e debussy, até a olga, de jorge antunes, que dialoga com wagner, nossos compositores evocam a enorme tradição do gênero por meio de um ecletismo traduzido pelo filtro pessoal de cada autor [joão luiz sampaio]

por joão luiz sampaio

1. A Menina das Nuvens, de Villa-Lobos

Na ópera, inspirada em peça infantil de Lucia Benedetti sobre menina que é levada pelo vento a viver no céu, Villa-Lobos filtra, por meio de sua linguagem pessoal, diferentes influências: Puccini, Debussy, a música dos seresteiros, tudo se combina na criação de cenas de lirismo comovente, como este encontro entre a menina e a lua. Gravação realizada no Palácio das Artes de Belo Horizonte (2009)

2. A Tempestade, de Ronaldo Miranda [veja, clicando aqui]

Grandes obras literárias sempre serviram de inspiração a compositores de óperas. E foi o que aconteceu nas duas incursões do brasileiro Ronaldo Miranda pelo gênero. Nos anos 1990, ele adaptou Dom Casmurro, de Machado de Assis; e, no início dos anos 2000, escreveu A Tempestade, inspirada em Shakespeare, para a Banda Sinfônica do Estado de São Paulo. Gravação realizada no Teatro São Pedro (2006)

3. Olga, de Jorge Antunes

Ao escrever a ópera Olga, Jorge Antunes lidava com duas de suas grandes preocupações como compositor: o conceito de uma obra que engloba diferentes manifestações artísticas e a consciência política, aqui por meio da história da militante comunista Olga Benário. A música é símbolo do ecletismo recente do compositor, com direito a citações de obras como o Tristão e Isolda, de Wagner. Gravação realizada no Teatro Municipal de São Paulo (2006)

4. Piedade, de João Guilherme Ripper

Entre a atual geração de compositores brasileiros, João Guilherme Ripper talvez seja o que mais tem feito da ópera a protagonista em sua trajetória como autor. Do monólogo camerístico Domitila, sobre a Marquesa de Santos, ele seguiu em direção a obras de escopo sinfônico, como Anjo Negro, inspirado em Nelson Rodrigues; ou Piedade, sobre o triângulo amoroso que levaria à morte de Euclides da Cunha, em que o violão assume função dramática na narrativa. Gravação realizada pela Orquestra Petrobras Sinfônica / Rio de Janeiro (2012)