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os sons que vêm das ruas

como as músicas contemporâneas capturam a frenética vida das grandes metrópoles do século 21

1. Cries of London, de Luciano Berio (1925-2003) Para oito vozes, com Olive Simpson e Catherino Bott (sopranos), Carol Hall e Linda Hirst (mezzo-soprnos), John Potter e Ward Swingle (tenores) e John Lubbock e Davis Beavan (baixos).

Composta em 1976 por Berio, um dos maiores compositores do século 20, “Cries of London” é estruturada como uma série de curtas peças baseadas em textos ingleses do século 17 tendo como tema comida e os gritos dos vendedores nas ruas de Londres.

2. Quiet City, de Aaron Copland (1900-1990)

Em 1939, às vésperas da eclosão da Segunda Guerra Mundial, o compositor norte-americano Aaron Copland (1900-1990) escreveu a música para a peça “Quiet City”, de Irvin Shaw. Em seguida, retrabalhou-a numa suíte sinfônica. O fabuloso trompetista Wynton Marsalis fez uma linda versão para trompete e orquestra, sincronizada com belíssimas fotos de cidades silenciosas.

3. City Life – Steve Reich (1937)

Aos 80 anos, Steve Reich pode ser qualificado como o mais minimalista da santa trindade do movimento iniciado nos anos 1960 nos Estados Unidos. A trinca Terry Riley-Philip Glass-Reich dominou a cena norte-americana desde que rompeu com as vanguardas tradicionais experimentais e estabeleceu a repetição como padrão de sua criação musical. Reich foi quem melhor aplicou a receita.

“City Life” foi escrita em 1995 para 2 flautas, 2 oboés, 2 clarinetes, 2 vibrafones, percussão com sons indeterminados, 2 samplers, 2 pianos, um quarteto de cordas e contrabaixo. Todos os instrumentos, exceto a percussão, são amplificados. A peça usa samplers digitais que combinam sons gravados por Reich em Nova York com os demais instrumentos. Estes sons incluem buzinas, alarmes de carros e outros ruídos associados com a cidade.

4. Clément Janequin: Voulez ouyr les cris de Paris

Clément Janequin (1485-1558) foi um dos maiores compositores do Renascimento. As canções a cappella (música vocal sem acompanhamento de instrumentos) eram uma de suas especialidades. A outra era saber capturar o sabor das ruas de Paris.

Les cris de Paris mostra um dia de feira parisiense do século 16, onde misturam-se vendedores de peixe com outros de patê, fósforos, repolhos, verduras, etc. Como nas nossas feiras-livres, infelizmente em processo de extinção. A canção é toda construída com os refrões cantados pelos diversos tipos de vendedores de feira. À francesa, naturalmente. É antológica a interpretação do contratenor Dominique Visse e Ensemble Clément Janequin.