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um compositor fissurado pela telona

koechlin escreveu uma sinfonia só para seus ídolos cinematográficos

O compositor francês Charles Koechlin costuma aparecer por aqui só em notinhas de pé de página de estudos sobre o compositor brasileiro Mozart Camargo Guarnieri.

É que Guarnieri ganhou uma viagem à França como prêmio por ter vencido um concurso de composição em 1937. E lá ele estudou por pouco menos de dois anos com Koechlin, então um compositor na plena maturidade de seus 71 anos. Voltou às pressas em 1939 por causa da eclosão da Segunda Guerra Mundial. Koechlin morreria em 1950, aos 83 anos.

Até o começo dos anos 30, Koechlin pouco ligou para o cinema mudo. Apenas Charlie Chaplin e seu genial vagabundo comoviam o compositor. A indiferença virou paixão com o surgimento do som no cinema.

Em 29 de junho de 1933, ele assistiu ao filme O Anjo Azul, com Marlene Dietrich e Emil Jannings. Foi amor à primeira vista… e audição. O cinema transformava-se na obra de arte total.

Koechlin fascinou-se pelas estrelas da novíssima arte – além de Dietrich, também Lilian Harvey, alemã apelidada de fadinha que nasceu em 1906 e morreu em 1968. Entre 1924 e 1940 ela protagonizou 55 filmes, entre mudos e sonoros. Sua especialidade, as comédias amalucadas. Ela era tão popular quanto Greta Garbo.

No mesmo ano em que descobriu o cinema falado, 1933, Koechlin compôs a Sinfonia das Sete Estrelas, opus 132. Sete movimentos – sete tributos ao firmamento cinematográfico dos anos 30. Pela ordem os sete moimentos são:
– Douglas Fairbacks
– Lilian Harvery
– Greta Garbo
– Clara Bowe
– Marlene Dietrich
– Emil Jannings
– Charlie Chaplin
Interpretação da Orquestra Sinfônica da BBC Escocesa, regida por Ilan Volkov.