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popularerudito, eruditopopular (e vice-versa): 3º round | novo paradigma

um cursinho rápido de sete aulas - ou melhor, rounds - sobre as guerras entre popular e erudito no século 20 para você se movimentar com clareza no infinito universo das músicas que nos rodeiam 24 horas por dia.

confira os outros artigos sobre os embates entre música popular e música erudita no século 20, baseado no livro ‘between montmartre and the mudd club: popular music and the avant-garde‘ de bernard gendron:

1º round

2º round

terceiro round: novo paradigma

Quando o eixo se transferiu para Nova York, a música popular virou espetacularmente o jogo. O que era apenas matéria-prima para divertimento dos mais refinados começa a deglutir procedimentos formais e conquistas harmônicas da grande cultura branca européia e ocidental. Nomes como Duke Ellington, Charlie Parker, Dizzy Gillespie e Thelonious Monk, os três últimos sumos-sacerdotes do movimento jazzístico chamado bebop dos anos 40, mergulharam fundo na música erudita, num processo irreversível que desembocou, nos anos 60, na atonalidade e improviso livre de músicos como Ornette Coleman.

O momento decisivo, porém, aconteceu nos anos 40, quando o bebop contou com um batalhão de críticos na mídia impressa para afirmar-se junto à opinião pública. “Além de desempenhar suas habituais funções de interpretação e promoção de movimentos e artistas específicos”, diz Gendron, “o discurso crítico tinha de convencer a cultura em geral assim como a comunidade jazzística que com o bebop o jazz superou a condição de mero entretenimento para atingir o status de arte, e que isso era bom. Teve, ainda, de desenvolver a partir do zero uma estética específica para o jazz, que pretendia legitimá-lo como arte e ao mesmo tempo preservar sua especificidade junto a outros tipos de música culta”. Ao contrário do cubismo nas artes plásticas, lembra, que emergiu num universo artístico já estabelecido, o bebop teve que “parir um nicho, o do ‘jazz moderno’”.

Esta missão foi tão bem executada pelos boppers que “hoje o associamos com a boemia de cultura de massa de primeira classe”. Passado o instante mágico, no entanto, o bebop enveredou pelo erudito. Ele é que, de fato, foi deglutido pela alta cultura – e perdeu o popular de vista.

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