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popularerudito, eruditopopular (e vice-versa): 6º round | a falência do pós-moderno

um cursinho rápido de sete aulas - ou melhor, rounds - sobre as guerras entre popular e erudito no século 20 para você se movimentar com clareza no infinito universo das músicas que nos rodeiam 24 horas por dia.

confira os outros artigos sobre os embates entre música popular e música erudita no século 20, baseado no livro ‘between montmartre and the mudd club: popular music and the avant-garde‘ de bernard gendron:

1º round

2º round

3º round

4º round

5º round

sexto round: a falência do pós-moderno

Naquele instante, os pós-modernos saíram de suas salas escuras nas universidades e vieram a público, com seus jargões esotéricos e complicadíssimos, proclamar o fim da dicotomia entre alta e baixa cultura, eixo principal do modernismo. A intelligentsia norte-americana descobria ali as mais masturbatórias aventuras do pensamento francês de Derrida, Foucault, Lacan e de Lyotard, o criador da expressão pós-moderno. “Esta ruptura”, diz Gendron, “pode ser expressada em termos do fortalecimento cultural do popular e pelo crescimento concomitante da estética popular. O nascimento da era pós-moderna acontece justamente quando termina o monopólio da alta cultura sobre o capital cultural.”

Os pós-modernos se deram mal. Erraram feio nas previsões. “O que permanece”, diz Gendron, “é um mix heterogêneo e não-hierárquico de nichos de mercado – a música clássica, o jazz, eletrônica, dance, etc. -, todos se acotovelando entre si em busca de um espaço cultural menos congestionado” (menos craudeado, diriam os clubbers).

Será que a música clássica, incluindo-se a música contemporânea, reduziu-se a um pequeno nicho de mercado com pequena vantagem, em termos de prestígio cultural sobre outros nichos, como o jazz moderno, o indie pop (pop independente)? “Não há dúvida que houve um forte achatamento da pirâmide hierárquica musical que teve um dia a música clássica no topo e a pop music na base. A música clássica continua a beneficiar-se de seu prestigioso circuito de salas de concerto e sua predominância na educação dos conservatórios. Mas sua hegemonia está sendo contestada em musicologia e etnomusicologia, e na literatura dos estudos culturais ela é totalmente marginalizada”.

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