a antropofagia da música não-europeia

três compositores brasileiros e um norte-americano deglutem as tradições europeias e criam obras originais que também levam em conta a realidade das américas

byron eggenschwiler
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Dois compositores não-europeus, o norte-americano Lou Harrison e o brasileiro José Antonio de Almeida Prado, constroem músicas originais a partir da descoberta de outras tradições. Criados na dominante linguagem europeia da música de concerto, foram capazes, cada um a seu modo, de criar universos musicais que deglutem outras tradições. No caso de Harrison, os novos ritmos e timbres da música javanesa o fizeram ressaltar a percussão. Almeida Prado usou de forma personalíssima a sintaxe europeia para capturar a imensidão e riqueza do mundo sonoro brasileiro.

o compositor-pianista Rafael Nassif, 32 anos e radicado na Áustria, constrói novos modos de relacionamento entre as músicas do passado e as do presente. Seus recitais focam na composição minuciosa dos programas: as diferentes peças devem soar juntas em um todo comum, retirando a importância das peças isoladas em si mesmas e valorizando a conjunção delas. Cada peça conversa com as demais, em suma. Assim, por exemplo, a segunda parte do programa, embora contenha obras diferentes, é concebida como uma variação (no sentido composicional) da primeira.

Cláudio Cruz, o nosso mais completo violinista, hoje também notável maestro, lidera o Quarteto Carlos Gomes no único quarteto de Claude  Debussy; mostra um dos quartetos visionários de Alberto Nepomuceno que o grupo acaba de gravar; e promove a estreia mundial de um quarteto de cordas composto por Marco Padilha especialmente para o Instituto CPFL.

joão marcos coelho

jornalista e coordenador do música contemporânea

Concerto