música inclusiva

uma viagem pela música sem adjetivos, que frequenta não só a sala de concertos como o cinema

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Os concertos desta série constituem exemplos notáveis da música plural, inclusiva, que se pratica atualmente no mundo. Uma música que privilegia, antes de tudo, a qualidade de invenção. E se beneficia de uma postura ampla, sem preconceitos, democrática na lida com timbres e formas musicais. É o caso da apresentação do saxofonista David Ganc e da pianista Maria Teresa Madeira, onde mostram o lado B de Nivaldo Ornelas, fabuloso instrumentista (sax, flauta) que comemora 75 anos em 2016. Ganc e Maria Teresa estão lançando o CD Noturno, com peças escritas por Ornellas entre 1980 e 2014.

o quarteto Palindrum mostra um instrumento original, o “hang drum”, em ação num repertório inclusivo que mistura técnicas seriais à la Schoenberg com raízes populares. O repertório é assinado por Dyonisio Moreno, diretor musical do grupo.

o pianista Horácio Gouveia mapeia o essencial da música para piano do século 20, combinando compositores díspares entre si como o húngaro Bela Bartók e o alemão Karlheinz Stockhausen; o russo Dmitri Shostakovich e o norte-americano Charles Ives; o francês Olivier Messiaen, o inglês Benjamin Britten e o italiano Luciano Berio.

No concerto de encerramento da temporada 2016 de música contemporânea do Instituto CPFL, Emmanuele Baldini, spalla da Osesp, comanda três notáveis exemplos de música inclusiva, aberta e libertária. O húngaro Gyorgy Kurtág, 90 anos, “conversa” com textos de Kafka; o judeu alemão Hanns Eisler compõe música para o curta-metragem mudo “Chuva”, dirigido por Jorg Ivens em 1929; e mostra uma preciosidade: doze das 21 canções do célebre ciclo “Pierrot Lunaire”, de Arnold Schoenberg para voz e grupo instrumental estreada em 1912 em Berlim, na versão para o português realizada pelo poeta Augusto de Campos na década de 1960.

joão marcos coelho

jornalista e coordenador do música contemporânea

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