o cabaré no século 20

o popular e o clássico juntaram-se em raros momentos na história de música. Um dos mais brilhantes foi a era do cabaré nas primeiras décadas do século passado

Séries > o cabaré no século 20

não é coincidência que tenha sido um compositor erudito – o austríaco arnold schoenberg – o primeiro a trabalhar, em 1901, como diretor artístico do primeiro cabaré em berlim. a cidade transformou-se, nas décadas seguintes, no símbolo do cabaré, um espaço ao mesmo tempo popular e sofisticado, capaz de abrigar esquetes teatrais com música, humor e erotismo. o conceito-chave do cabaré é, portanto, reunir no mesmo local as artes ditas eruditas e as artes ditas populares.

esta caminhada pelas várias formas que o cabaré assumiu neste último século começa justamente com as experiências de compositores eruditos no gênero. nomes ilustres como o próprio schoenberg, mas também benjamin britten e erik satie.

a segunda parada nos leva a um dos mais efervescentes períodos artísticos contemporâneos: a berlim dos anos 20, a berlim da república de weimar, onde um governo débil e uma inflação galopante convivia com uma incrível explosão criativa. e onde isso se manifestou? no cabaré, com nomes à primeira vista eruditos como o de bertolt brech e seus parceiros músicos hanns eisler e kurt weill; e criadores populares como friedrich hollaender. isso sem uma pitada absolutamente atual, com tom waits.

última parada, nuestra américa. um duo de flauta e marimba faz leituras inovadoras de clássicos do que se poderia chamar de cabaré latino-americano. desde “a história do tango” de piazzolla até as aventuras portenhas do gaúcho cyro pereira.

joão marcos coelho

jornalista e coordenador do música contemporânea

Concertos