quatro olhares contemporâneos sobre o amor

quatro jovens compositores brasileiros criam peças em torno do amor; um jeito atualíssimo de ver a razão de viver hoje em dia

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à medida que entramos no século 21, a concepção romântica do amor continua a povoar o imaginário das pessoas. mas, desde o começo do século 20, a paixão e o sentimento de encantamento foram se transformando. a série marca quatro momentos de paixão muito diversos entre si. o fascínio por um amigo, pela sua terra natal, o amor pela natureza e pelas flores. e pelo mar. a celebração da amizade, uma forma muito particular de afeto. e, naturalmente, a paixão pela mulher amada.

os poemas se sucedem, de fernando pessoa a augusto frederico schmidt e ao poeta simbolista russo alexander blok. entre os compositores, o refinamento e a estética muito particular dos japoneses hosokawa e toru takemitsu; a vibração de shostakovich; e a sensibilidade brasileira espraiada tanto nas composições vocais de harry crowl quanto nas obras instrumentais de silvio ferraz e marcus siqueira, entre outros, que às vezes nos falam sobre o amor de modo ainda mais intenso que a palavra – que todas as palavras.

em outras duas noites, repertórios especialíssimos. a lírica segundo a sensibilidade italiana do século 20: obras para violino e piano assinada por alguns dos grandes compositores italianos do século, e que hoje são raramente tocados. nomes importantes como dallapiccola, pizzetti e, naturalmente, nino rota, o genial parceiro de fellini. e uma verdadeira “viagem” pelas sonoridades etéreas e ao mesmo tempo contemporâneas da harpa, um dos mais antigos instrumentos musicais, numa insólita combinação com a viola. nomes de compositores pouquíssimo conhecidos – como esteban benzecry, renzo salvetti, bernard andrés ou carlos salzedo — ao lado de outros notáveis, como ravel e piazzolla.

joão marcos coelho

jornalista e coordenador do música contemporânea

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