Stephen Hawking no Gonville Camp; Caius College, Cambridge. (CC BY 2.0). Reprodução sem modificações de Lwp Kommunikáció
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stephen hawking gostava de música contemporânea

Em 2006, o físico inglês Stephen Hawking, morto aos 76 anos nesta quarta (14/03), foi convidado a escolher três de suas músicas preferidas, que foram interpretadas no Festival de Música de Cambridge, que naquele ano tinha como tema “Mozart, Música e Matemática”.

Duas das suas três escolhas recaíram sobre músicas do século 20, uma surpresa, mesmo porque o mote do festival era Mozart.

Hawking explicou assim suas escolhas.

A primeira foi a “Sinfonia dos Salmos”, de Igor Stravinsky (1882-1971): “Descobri a música clássica aos 15 anos”, diz Hawking, “Foi meu primeiro LP de 10 polegadas, me apaixonei pelo terceiro movimento, Laudate Dominum.”

Obra-chave do compositor russo de 1930, escrita por encomenda da Orquestra Sinfônica de Boston, comandada por outro russo ilustre, o maestro Serge Koussevitzky. Marcou seu regresso à religião, depois de muitos anos dela afastado. Textos retirados de três Salmos da Bíblia (38, 39 e 150) são cantados em latim por coro misto a quatro vozes e grande orquestra. Detalhe: as partes de contralto e soprano devem ser cantadas, conforme instruções do compositor, por crianças. A Sinfonia dos Salmos tem três movimentos: Exaudi orationem meam; Expectans expectavi Domine; e Laudate Dominum:

Com Orquestra de Chicago, regência de Sir Georg Solti

A segunda escolha de Hawking é o “Gloria” do compositor francês Francis Poulenc (1899-1963). Ele a ouviu em Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos, durante um Festival de Música em 1995: “Eu trabalhava no Centro de Física e de lá ouvia esta música sendo ensaiada e depois tocada. É uma das raras peças que considero grande música”.

Foi uma das últimas obras compostas por Poulenc, em 1959, também encomenda da Fundação Koussevitzky, o mesmo maestro que encomendara a Sinfonia dos Salmos a Stravinsky.  Prevê soprano solista, coro misto e orquestra.  De certo modo, escandalizou o universo religioso, já que a música é claramente profana. Poulenc a justificou assim: “Pensei nos afrescos de Gozzosli em que “os anjos  mostram a língua e também nos em geral solenes beneditinos jogando uma partida de futebol”:


com Barbara Hendricks (soprano), coros da Rádio France e Orquestra Nacional da França, regida por Georges Prêtre.

A terceira escolha de Hawking é a única de um compositor do século 19, o polonês Henri Wieniawski (1835-1880). Grande virtuose do violino, foi mais conhecido como um dos maiores intérpretes do século 19.  Hawking: “Adoro este concerto, principalmente por causa do assombroso tema do primeiro movimento”. O concerto foi composto em 1953, e o tema a que o físico inglês se refere é o segundo que evoca uma ária de ópera, no Allegro moderato inicial. O concerto tem três movimentos: Allegro moderato; Preghiera. Larghetto; e Rondó. Allegro giocoso:


Midori (violino), Orquestra de Saint-Louis, regência de Leonard Slatkin. 1988.