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a melancolia da vida cotidiana

com curadoria de maria rita kehl.

a julgar pelo empenho da indústria farmacêutica em vender as sempre novíssimas gerações de antidepressivos, é possível imaginar que o mundo ocidental vem sofrendo uma crescente epidemia de depressão. esta “epidemia”, porém, cresce em razão direta dos lucros dos fabricantes de remédios, afirma a psicanalista maria rita kehl.
a série de encontros, abertos ao público e com transmissão online, reúne o filósofo vladimir safatle, a urbanista ermínia maricato e a psicóloga julieta jerusalinsky para questionar se, de fato, somos todos candidatos potenciais à depressão e se o consumo de remédios seria a única solução para nosso mal-estar cotidiano.
“a proposta é produzir discursos críticos que, sem ignorar a melancolia contemporânea, busquem causas e apontem rumos diferentes daqueles propostos pela psicofarmacologia”, afirma a curadora.
gravado em agosto de 2016.

serie (4): a melancolia da vida cotidiana

  • versão para tv | melancolia na infância, com julieta jerusalinsky

    Melancolia é uma forma de sofrimento, que torna a pessoa apática, sem vontade de nada, mergulhada numa grande tristeza. Um desequilíbrio mais preocupante ainda quando extrapola os limites do individual e se torna coletivo, principalmente quando atinge um número crescente de crianças. O que tem levado a isso? A psicóloga e psicanalista Julieta Jerusalinksy nos alerta sobre o que acontece quando a criança desiste até mesmo de sonhar e mergulha no mundo do tanto faz.
  • íntegra | melancolia na infância, com julieta jerusalinsky

    há lugar para a tristeza na infância? geralmente tendemos a idealizar a infância como uma época cheia de vivacidade em que um estado de permanente criatividade impediria qualquer manifestação de tristeza. no entanto, encontramos crianças que se sentem profundamente entediadas, sem curiosidade ou tempo para inventar diante de suas agendas cheias.ao submeter as crianças a um pragmático princípio de super equipa-las par o futuro, em uma permanente produção maníaca de ofertas de informação e de consumo, pode-se estar tirando delas algo fundamental: o encontro com um certo vazio e uma certa tristeza que fazem parte da vida e que são necessários para poder desejar e inventar. ao querer poupa-las de toda e qualquer tristeza podemos deixa-las assoladas pela melancolia.
  • íntegra | melancolia do poder, com vladimir safatle

    o poder age em nós através da melancolia. não há nenhuma dominação que seja baseada apenas na coerção, mas toda dominação só pode se realizar como uma forma de amor. amamos o que nos domina, o que nos leva à questão de saber que forma é esta de amor que organiza nossa servidão. se partirmos da compreensão freudiana de que a melancolia é uma forma de amor, a saber, amor por objetos perdidos que nunca podem ser elaborados, podemos ter um eixo para compreender as dinâmicas psíquicas da sujeição.
  • íntegra | melancolia da desigualdade – a cidade dividida, com ermínia maricato

    as raízes da cidade dividida: casa grande e senzala ou sobrados e mocambos. a água, o esgoto, a lenha, carregados pelos escravos, e o atraso na infraestrutura urbana. o emprego doméstico, a entrada de serviço resquícios do preconceito. a periferia ignorada: dimensões e características (“é a parte que lhe cabe nesse latifúndio”). terra que não interessa ao mercado é a localização que sobra. a autoconstrução da moradia. a ausência de infraestrutura- água, esgoto, drenagem, coleta de lixo, mobilidade. comprometimento da saúde: epidemias. a via sacra da mobilidade- parte da vida nos transportes. agressão ambiental e moradia pobre. ilegalidade generalizada. a cidade do mercado formal. a cidade legal. prestigiosos planos e legislação detalhista: o urbanismo das “ideias fora do lugar”. carga simbólica de distinção. cidade real e a alienação: representação ideológica da cidade. o ardil da lei: direito à moradia é constitucional, mas na prática é impossível dentro da lei. a periferia pobre (não cidade) cerca “a cidade”.

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